Outubro-Dezembro de 1999, Maria José Reis Grosso
O multilinguismo de Macau e as sua implicações na sociedade macaense, constituem o objecto deste estudo, que analisa o estatuto das diversas línguas faladas em Macau em estreita relação com a estratificação social e étnica do diversos grupos de falantes.
A autora sublinha que apesar de ser um espaço plurilingue, as várias línguas, com excepção do inglês, só são geralmente usadas dentro do dos grupos étnicos que as falam, "isto é, o indivíduo que vive em Macau não faz uso das diferentes línguas que tem à sua disposição".
A maioria da população - de etnia chinesa - tem como língua materna o cantonês; é por ela que recebe a socialização e se identifica com a cultura e com a grande comunidade chinesa.
A língua de contacto entre os vários grupos é geralmente o inglês, que é também a língua dos negócios e do comércio, a actividade económica dominante no território.
O português, língua da administração e do governo, teve sempre grande dificuldade em alargar-se a outros estratos sociais. Os macaenses, "filhos da terra", desempenharam tradicionalmente o papel de intermediários e de intérpretes entre a pequena comunidade portuguesa e a maioria chinesa.